Por que preciso escrever um TCC?

"A pena está para o pensamento como a bengala está para o andar"

Arthur Schopenhauer


Vamos falar sobre este bicho-papão do ensino formal? O trabalho de conclusão de curso, ou simplesmente TCC, foi instituído como um método qualitativo para legitimar a aquisição de conhecimento obtido em decorrência da jornada de aprendizado. Neste momento da educação, repensamos se, de fato, o TCC deveria ser indispensável mesmo. Há muitas instituições de graduação e pós-graduação que já eliminaram a obrigatoriedade formal de apresentação deste trabalho final para fins de diplomação.


Nesta pequena reflexão, não vamos nos ater ao debate de se cobrar ou de se dispensar o TCC seria bom ou ruim; certo ou errado; mais ou menos eficiente. A discussão deve ser voltada para a compreensão do que seria importante para coroação do processo de aprendizagem. É ele o objetivo. E não o calhamaço de papel em espiral a ser entregue sob pressão e, muitas vezes, à custa da saúde mental do aluno.


O grande spoiler final do texto: sim, você precisa escrever um TCC. Afinal, o problema não reside na produção de um texto, pesquisa ou projeto final, mas no que se tornou esta instituição impositiva de um trabalho que demanda um enorme esforço para o qual o curso escolhido não preparou o aluno suficientemente bem ao longo da jornada.


Ao elaborar um projeto para conclusão do curso, a maioria das nossas alunas e alunos têm como central dificuldade se deter a uma imersão de escrita para a qual não se familiarizaram em momento algum, nem previamente no Ensino Médio ou mesmo durante as disciplinas pelas quais passaram no Ensino Superior.


Sim, há quem goste de escrever. Essas pessoas representam uma minoria. E escrevem motivados por interesse pessoal, por alguma faísca de espontaneidade e não porque receberam a educação apropriada. Falta entender que a escrita não se limita a vocacionados. Mas ela própria é fundamento do processo maior de realização para a vida estudantil: a construção de pensamento e a consequente aquisição de autonomia intelectual.


Não acredite na falácia de que "isso é para poucos". O pensamento e a intelectualidade não são prerrogativas exclusivas da academia muito menos da intelligentsia. São propriedades inerentes ao ser humano, independentemente de gradação escolar.


Eis o problema: exigir um TCC e não pavimentar um caminho para construção de um pensamento resultante do curso escolhido. Ou seja, o trabalho final surge apenas como bode expiatório de um processo de aprendizagem falido.


A solução? Uma boa possibilidade reside numa reflexão importantíssima de Schopenhauer: "A pena está para o pensamento como a bengala está para o andar". Isso significa que o ato de escrever não dever ser visto como fim em si mesmo, mas como uma constante para o processo de reflexão. Olhar para o TCC com esse entendimento agrega leveza ao processo de conclusão de curso, uma vez que adiciona mais sentido ao processo de aprendizagem.


Seria, portanto, fundamental que as instituições de ensino cobrassem suas alunas e seus alunos não o tratado textual apresentado como moeda de troca para a diplomação. Mas que o façam numa perspectiva real de aprendizado, que considera o tempo, as limitações de cada estudante ao observar a escrita apenas como meio para a conquista que, de fato, interessa: a da criação de um pensamento.



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