Transdiciplinaridade engajada

Atualizado: 13 de Out de 2020

O sistema educacional está falindo no mundo. Não se limita às políticas públicas brasileiras estruturalmente problemáticas e, agora, subjugada por um projeto político retrógrado, de ideologia reacionária e obscurantista que elegeu as Ciências Humanas, ou seja, o conhecimento e o pensamento crítico, como inimigos. Mundialmente, os embates ideológicos ocorrem, mas o modo de se transmitir, compartilhar e produzir conhecimento vive profundo processo de mudança.


Sinais dos tempos? Consequências da pandemia? De modo algum. A crise sanitária em que vivemos certamente desempenhou um papel importante para a percepção deste fenômeno, que se constrói desde o advento da era da hipermodernidade, como aponta Lipovetsky. Ou seja, após superado o modelo fordista na indústria, criou-se, com base nesta perspectiva, o consumidor engajado, ator central do hiperconsumismo, para o qual se impõe regras e modos cada vez mais personalizadas ou personalizáveis de consumo. Por consequência, este mesmo consumidor é quem se alimenta de serviços, religiões, cultura, informação etc. A bolha do consumo não se limita ao signo do varejo, mas ocupa todos os setores da nossa vida. Não obstante, exige também da educação uma nova postura.


A nossa contribuição para este debate começa na adoçnao de uma transdisciplinaridade radical. Radical no bom sentido. Num sentido de engajamento.


Mas o que seria este engajamento?


Do ponto de vista desta sociedade movida pela necessidade do espetáculo, pelo consumo e pela ininterrupta busca por experiência, este engajamento diz respeito justamente à suscetibilidade e fluidez das relações humanas com seus objetos de interesse e objetivos de vida. A sociedade analógica, dos baby boomers e até a Geração Coca-Cola, ainda vivia sob o signo do fordismo, de um certo conforto tecnológico, que tinha como símbolo a TV. Este eletrodoméstico que recebia o centro das atenções na sala de estar ou, em casas maiores, detinha um cômodo só para si, se pulverizou junto com a cultura fordista que ainda carregava. A experiência se tornou mais individual, mais dinâmica, mais exigente. Requer, portanto, sempre um renovado engajamento por parte de todas os atores da relação estabelecida.


Voltemos ao caso da educação


O que muda nesta era hipermoderna não são apenas as tecnologias, embora elas estejam no centro da questão contemporânea. Sobretudo, observamos um câmbio nas relações humanas e com o meio ambiente. Associados e mesmo incitados pela tecnologia, os relacionamentos seguem como a máxima de todos os aspectos da vida: o consumo, a busca por conhecimento, o desenvolvimento pessoal, as comunicações e, claro, nossa forma de aprender e de ensinar.


Mais do que observar o fenômeno latente neste período pandêmico da virada de chave para uma cultura global e maciça de trabalho e estudo remotos, devemos nos abrir para uma nova forma simbólica de adquirir, transmitir, compartilhar e produzir conhecimento. E daí que trazemos para o grande tubo de ensaios que forma o nosso particular zeitgeist a proposta de transdiciplinaridade engajada.


Nas próximas postagens vamos nos aprofundar cada vez mais em detalhes sobre o que é esta transdiciplinaridade engajada e os resultados que temos alcançado na aplicação desta metodologia no ensino.


Se quiser conhecer, na prática, basta aderir a algum dos nossos cursos da Escola de Humanas. Estamos com inscrições abertas.




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